Há quatro anos esperamos ansiosamente por este dia, a Colação de Grau. Com apenas16 anos sai da minha cidadezinha de 17 mil habitantes pra estudar numa universidade pública e não muito reconhecida. No início não foi fácil ficar longe da família, amigos e pessoas que de algum modo me consideram importante. Tão louca e tão chata não despertei a simpatia daqueles que dividiriam a sala de aula comigo pelos próximos anos, o que tornou ainda mais difícil a minha adaptação a nova cidade e vida. Bem, estudamos muito, foram 630 horas de estágio obrigatório, 400 horas extracurriculares, inúmeras disciplinas. Nos apaixonamos pelos ideias desenvolvidos por Marx, concepções revolucionárias e utópicas, acreditamos numa sociedade justa e igualitária como um processo que teremos que lutar por toda vida pessoal e profissional. Ouso dizer que agora, compreendemos o mundo com outro olhar, mais crítico, real e infeliz. Conhecemos o verdadeiro significado da palavra alienação tão em voga por aí, somos vistos por outras pessoas como loucos caridosos, e isso não nos importa pois sabemos bem o que somos e quão complexo foi nos tornarmos estes chatos que criticam a sociedade capitalista. Alguns casaram ou engravidaram durante a graduação e a estes eu elevo minha mais profunda admiração.
Hoje, entraremos pela porta sendo apenas Camila, Júlia, Débora, Miliane, Naara e tantas outras garotas e garotos maravilhosos, porém, sairemos não sendo mais apenas garotas e garotos mas Assistentes Sociais.
Como diria nosso filósofo, sociólogo e economista preferido, Karl Marx: "A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos". Possuiremos o grau científico de ensino superior, e não devemos fazer deste canudo uma propriedade privada, que prevê benefícios subjetivos, este canudo deve representar o início de uma mudança, mesmo que pequena, uma mudança no mundo.