Nem mesmo me recordo a quanto tempo escrevi esta quantidade de rascunhos de poesias, e claro, sem intenção alguma de enviá-los e após tantos rascunhos desorganizados certamente resultaria um texto. O quão difícil é mensurar toda e qualquer coisa, dada a intensidade dos acontecimentos, o lugar e você, simplesmente. Não restaram fotos, imagens que registrassem as cenas daquele filme colorido protagonizado por nós dois. De acordo com suas palavras, porquê estávamos a desfrutar. Que palavra maravilhosa vocês usam pra dizer aproveitar. Desfrutar soa mais romântico, apesar de singelo, tem um quê de poema. E para que fotos!? Se me recordo com exatidão dos seus olhos me fitando, do seu sorriso de nuvem e da sua risada discreta, nada parecida com a minha, debochada e insolente. Para que fotos, afinal?! Se lembro de cada instante com memória fotográfica, de cada conversa durante as corridas de táxi, naquela cidade caótica, todas as danças que tentei lhe ensinar, o samba que você não leva jeito, nossas tentativas de falar a língua um do outro. O meu espanhol falho e seu português com sotaque italiano, as suas gentilezas infinitas, as milhares de informações que você tem registradas sobre o meu país. Cada centímetro do seu corpo. Contudo o mais sensacional e impossível não citar foi o primeiro instante em que nos deparamos com a existência um do outro, haviam 02 milhões de pessoas e nossos olhares teimaram em se cruzar, você sorriu e eu retribuí. Eu não quero pensar no futuro, não quero pensar quando acontecer de nossas vidas retornarem a rotina esmagadora, ao terrível cotidiano e sentirmos a profunda necessidade de ter alguém ao lado, alguém que de preferência fale a mesma língua, resida no mesmo país e compartilhe da mesma cultura. Não quero pensar em nada. A intensidade de tudo aquilo me faz desejar estar ao seu lado a todo momento. Segundo você, em seu país uma mulher não deve/ou não demonstra interesse, e eu, uma brasileira totalmente apaixonada, demonstrando o que se passa aqui dentro de mim, de uma maneira assustadora que vai te fazer correr ao término da leitura deste texto, que eu nem mesmo sei se irá compreender. Em relação a tudo o que passou possuo muitos desejos: que essa cumplicidade jamais acabe, que nunca nos esqueçamos e que se repita, de novo, de novo e de novo.
