segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Sobre as pessoas que se vão



O ser humano é mesmo um bicho livre. A gente nasce  e o médico vai logo cortando o cordão umbilical que é pra gente ficar esperto nessa vida, é uma espécie de rito inicial, sinal de que, olha... não vai ser nada fácil. A gente cresce, aprende a socializar na família, o primeiro contanto com um grupinho social. Fica crescidinho, aprende a usar o vaso sanitário e dar adeus aos excrementos e já está na hora de ir para escola. Me recordo do meu primeiro dia de aula, haviam várias crianças chorando por ter de se despedir das mães, de abandonar aquela pessoa que proveu todas as suas necessidades sociais. A minha mãe ao menos me levou, posei numa amiguinha e o pai dela se encarregou da função. A minha independência antecedeu ao período da faculdade. Eu não conseguia compreender a razão de todas aquelas lágrimas, daquelas crianças extremamente assustadas pela vida nova que as esperava. Enquanto que pra mim o desconhecido dá vontade de viver, de descobrir, chegar mais perto, tocar, sentir o cheiro, o sabor da vida. Durante o período de faculdade não foi tão fácil assim, as descobertas trouxeram umas decepções consigo, um choro aqui e outro ali. Mas nada que me fizesse ter medo do novo, daquilo que eu teria que desbravar. Aí, quando eu penso que já vi de tudo nessa vida de meu Deus, em pleno final de 2015, Você aparece pra dizer que está disposto a me fazer extremamente feliz, que gostaria de dizer isto olhando nos meus olhos, porém não disse. Sabe? A vida é muito louca mesmo. Quantas noites dormi imaginado uma cousa dessas e quando ocorre não faz sentido algum, você não faz sentido. O seu histórico demonstra que nada que é capaz de sair dessa sua boca, nada daquilo que seus dedos digitam  nesse teclado é digno de verdade, você é uma falácia completa, dessas bem grandes que só um vendedor de produtos made in china poderia vender. Vá embora e leve com você todo esse sentimento que causou em mim, todas as expectativas as boas e as ruins. Eu me desapeguei. Minha liberdade me completa num sentido tão profundo que só Cecília Meireles pra compreender. Pra você eu desejo um honesto e profundo adeus, sigamos em frente. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Acerca dos planos infalíveis que teimam em falhar

Eu havia formulado um plano infalível. Não haveria meios de  você escapar. Assim sendo, permaneceria durante toda noite ao seu lado, sendo sua companhia perfeita, no fim da noite, com um beijo suave de até breve você estaria perfeitamente interessado pra saber mais ao meu respeito. Minhas segundas intenções foram por água abaixo quando quem me deixou esperando foi você, os minutos que antecederam sua chegada foram desesperadores, me embriaguei de água e cigarros, que era para ver se a ansiedade tornava-se minha amiga, assim eu poderia me concentrar em ser como os demais, pessoas comuns, ouvindo músicas aleatóriamente, conversando com os amigos num bar. Ser uma pessoa, como qualquer outra que não cria expectativas fantasmagóricas. Não, tudo o que diz respeito a mim tem de ser gigante e desesperador, os fatos comuns tornam-se grandes acontecimentos, porquê a minha alma é hiperbólica e carece de muita emoção pra ser completa. Retornando ao início, você chegou  e nem percebeu, contudo, na minha cabeça, eu já estava de quatro por você. Foi tão difícil me fazer de difícil, e no final, pra que tanto drama? Se eu sei que uma hora ou outra o  conceito de espaço não teria mais sentido entre a minha boca e a sua. Te ignorei por quase um mês no aplicativo do celular, deve ser suficiente pra te convencer que não sou qualquer uma. Que existe algo de especial em mim que te faça ficar aqui, nem que seja por apenas alguns instantes. Ando tão exausta de expulsar as pessoas da minha vida, numa velocidade patológica e de tantas formas egoístas que só meu psiquiatra poderia compreender. No fim da noite, meu plano havia falhado, eu fui pra sua cama e já não posso suportar a possibilidade de não te ver, não, eu não sou louca. Essa tentativa frustrante,  mas eu sempre tive a total convicção que meu plano infalível teimaria em falhar, porque há algo em você que me faz perder o controle e perceber que eu já não posso prever nenhum dos meus passos tratando-se destas tentativas imbecis e fajutas de te fazer perceber que eu só estava ali, naquele lugar e naquela noite, por exclusivamente você. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Fuja se for capaz


Não quero você. Já conheço seus defeitos, dificuldades e bobagens. Seus erros, suas culpas e vontades. Está decidido, não quero você. Há uma década tenho tentado todas as modalidades de relacionamentos possíveis e imagináveis com outras pessoas na esperança de convencer a mim mesma, de que jamais precisaria de alguém como você para ser feliz. É uma ilusão constante e decepcionante! Tentando convencer meu coração a acreditar que qualquer ser humano na face desta terra é capaz de ser feliz comigo. Mas bastam alguns poucos dias ao seu lado pra perceber o drama mexicano nisto aqui.  Coleciono essas mentiras no baú que me você me deu, e que eu disse que havia jogado fora. Outra mentirinha, com a intenção de demonstrar que eu não preciso e que eu não quero você.  Dizem que o primeiro namorado a gente nunca esquece, que as primeiras paixões são as mais profundas e que mesmo quando se passa muito tempo, permanecem resquícios na alma. Droga! É uma bosta precisar de você pra minha alegria ser completa. Estou tentando não forçar a barra, não pressionar, não subir esses degraus rápido demais, que é pra você não se assustar e sair correndo, sendo assim, você nem poderia supor que acordo todos os dias entrando na igreja e imaginando como seria dividir tudo ao seu lado. Por você paguei os maiores micos da minha adolescência, e  os pagaria novamente, se isto te fizesse ficar aqui, só por mim, só pra mim. É que os nossos gênios são muito parecidos e temos esse instinto de querer tudo agora, do nosso jeito, se não já era. Mas vai que neste momento, essa semelhança que nos fez tomar rumos diferentes, nos una definitivamente. Se tratando de nós nunca se sabe, jamais pensamos em retornar onde tudo isto começou, e não adiantou nada, a vida fez estas escolhas por nós, e nem sequer  pediu opinião.
Quer saber? Já era. Você vai ter de me aturar. Quero você e quero muito, pelo tempo que for possível.  Fuja se for capaz.             

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Contagem regressiva


Essa coisa de amor é realmente muito complicada. Havia tomado uma decisão na frente do espelho, não me apaixonar novamente, chega de sapo que se acha príncipe, chega de sensaçãozinha inexplicável. Eu só não esperava que você pudesse existir, me tirar do canto de um quarto escuro, da minha covardia de me envolver novamente. Pensei em trocar nós dois por algo mais seguro e confortável, sem muitas expectativas, com um alguém que já conhece tudo sobre mim. Por um instante, pensei que poderia trocar meus sentimentos como se troca de roupa numa loja barata.  Não deu. Sua reação foi inesperada. Simplesmente disse todas as coisas que me fizeram perceber o quanto eu estava sendo babaca, simples assim. Como um eu te amo matutino, cheio de preguiça ao acordar. Faltam apenas 05 dias para o próximo encontro. Mas diz isso pro meu relógio biológico, ele tá maluco aqui, descompassado, me faz acreditar que faltam 100 anos pra eu ouvir pessoalmente todas aquelas coisas, pelas quais eu esperei minha vida inteira. Tenho tanto medo, mas tanto. Esse medo me faz querer sair correndo, pra longe de você, pra longe desse possível amor, dessa possibilidade mesmo que remota de sermos só nós dois contra o mundo, contra a distância, o tempo, contra todas as coisas que me fazem pensar que isto pode não dar nada certo e ambos acabarmos decepcionados. Uma hora a rotina irá bater em nossa porta, e daí?! O que iremos fazer? Não dá pra pedir pra ela pegar a malas e partir, ela vai chegar sem aviso, se hospedar e ficar ali conosco. Lembro de você falando que eu penso muito no futuro, que sua avó dizia que quem faz muitos planos acaba por não realizá-los. O que eu posso fazer, se já imagino seu sobrenome combinando com o meu?! Eu sou assim, precipitada, sofro de véspera, sofro pelo término de um relacionamento que nem mesmo tem nome. Cinco dias, faltam apenas cinco dias. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

As borboletas voltaram


Foi real, e mágico de certa forma, de uma maneira única que eu jamais saberia explicar. Eu tive um sonho em que um cara com mãos grandes segurava as minhas e eu sorria muito, um riso de satisfação, de uma alegria que não era transitória, aquelas coisas de filme, sei lá.  Havia uma sensação de travesseiro limpo com cheiro de amaciante. Até parece mentira, mas o sonho se tornou realidade. Cada centímetro de mim espera ansiosamente ocupar o mesmo espaço que o seu, contrariando as leis da física. Já não há mais nada do meu cotidiano que não me faça lembrar a gente. Aquelas coisas mais bobas, se tornam espetaculares quando  as compartilho com você. Eu que dormia antes das 22h, porque não havia nada de interessante  no mundo que me fizesse permanecer acordada,  acordo às 04 horas da madrugada, só pra dizer ao meu cérebro pra não te esquecer, nem sequer por um segundo, nem mesmo enquanto durmo. Eu digo a mim mesma: Ei! ele existe, é real. Afinal, a sua simples existência tem feito um bem danado pra mim. Eu não sei o que você tem, mas sei que tenho muito a te oferecer. Os pequenos gestos de carinho, o café quentinho preparado por você, pequenas coisas que vão tirando cada peça da minha armadura sentimental, me transformando novamente numa garotinha vulnerável.
Um desejo gigantesco de estar ao seu lado e olhar o mesmo céu, o mesmo pássaro, a mesma árvore, a mesma flor. Eu não sei se você sabe, mas gostaria que soubesse, que há muito tempo não me sentia assim, com alma de menina. Cheia de expectativas pro próximo encontro. Chega dar náusea, o estômago dói e fazia muito tempo que estas borboletas não apareciam dentro de mim. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

E não foram felizes para sempre...

A vida é realmente absurdamente surpreendente. A rotina, a ausência de compreensão do modo de ser do outro e sobretudo o desrespeito as diferenças é capaz de jogar um caminhão de entulho em qualquer relacionamento pouco provável. Uma paixão não pode suportar as vicissitudes de uma rotina onde não haja espaço de partilha de sonhos, metas e objetivos, ainda mais quando estes sonhos, metas e objetivos são alterados em frações de segundo. Você chegou bem de devagar, eu estava lá, sozinha, desprotegida e vi em você um lugar seguro para ficar. Que pena, não foi! Muito, ou quase tudo por minha culpa. Porquê infelizmente o mundo não gira ao meu redor e eu tenho a mania de pensar que sim. Um cara bêbado numa festa, me disse que minha autoestima é elevada demais, que me acho, pelo simples fato de ser eu mesma. No dia seguinte pediu desculpas, pois ao menos se recordava do que dissera. Respondi que não havia problema algum com aquelas ideias, até porque são verdadeiras, são meus defeitos e tenho apreendido a conviver com eles por aqui. Mas já está na hora de ter mais empatia num relacionamento, de se doar mais, de fazer o outro mais feliz, satisfeito e completo. Acredito que a alma pede esse tipo de coisa pra gente quando a idade se aproxima de uma mulher Balzaquiana. 
E após conversar com as amigas e chegar a conclusão de que se não deu com você, não daria com ninguém. A vida realmente absurdamente supreendente me mostra que ainda posso me apaixonar por com a mesma facilidade dos 15, 16, 17 e de toda a vida. Bastou apenas algumas palavras, umas pequeninas demonstrações de sensibilidade inesperada, uns olhinhos pequenos e apaixonantes para eu ter esperança de ser feliz. Isso mostra que realmente, você estava certo eu não era mais apaixonada pela vida que tínhamos. Meu egocentrismo acabou com aquela plantinha que dão o nome de amor. Mas sabe!? Apaixonar-se é necessário. Ter novamente esperanças de compartilhar a vida com alguém. Tudo isso é revigorante. Apaguei suas fotos, mas não as lembranças daquilo de bom que passamos juntos, hoje mesmo abri a gaveta com as suas coisas e as acariciei, não porque o amo, mas porque sinto que perdi um lado bom da minha vida. Não que você me fazia infeliz, até porque sei dos seus esforços pessoais em proporcionar o que julgava necessário, entretanto algo dentro de mim gritava muito alto, que eu poderia ser mais feliz. Essa voz continua ecoando. 
Um parceiro desmotivado e de baixo astral, mas que sempre esteve ali. Te desejo apenas o melhor do melhor, das melhores coisas que a vida realmente absurdamente supreendente pode proporcionar. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Infinito comum

   
       Resolvi tirar a poeira disso aqui, após quase dois anos sem escrever. Puxa! Quantas coisas aconteceram num período consideravelmente breve. Uma das razões pelas quais não andei digitando meus sentimentos foi que conheci uma pessoa de carne e osso disposta a ouvir e compartilhar todas as minhas dores e alegrias, a conhecer todos os monstros da minha imaginação. A disposição foi tamanha, que veja só, nos casamos! Tem sido um desafio diário de acordar juntos, jantar, lavar louças, ver TV e demais afazeres cotidianos estranhamente comuns. É bom ter alguém para jogar conversa fora após um dia de trabalho. Traz uma segurança emocional que eu jamais pensei que existisse. Tudo bem, casar-se é uma regra imposta a nós mulheres, a sociedade espera que nos casemos, parimos e perpetuemos a espécie. Olhando num caso individual, está sendo ótimo. Fatalmente comum e extraordinário. 
       Acredito que o casamento é uma tela em branco, no dia-a-dia vamos pintando, pincelando nosso convívio e relacionamento, dando cor ao amor. Dois artistas driblando a rotina diária para compor uma obra única ao longo da jornada da vida. Pode ser também uma estrada em que duas pessoas escolhem caminhar juntas. 
        Profissionalmente tem sido frustrante e desesperador, minha teimosia tem ajudado, ainda guardo no bolso uma gota de esperança, que me motiva a estudar e conquistar meu lugar ao sol, a mesma esperança que me fez escolher a área de humanas e que me impulsiona a não desistir. Já escrevi sobre isso, não escolhi uma faculdade para simplesmente ter dinheiro, claro, necessário e indispensável para sobrevivência. Contudo, apenas obter dinheiro não traria o bem que almejo. Espero que meu trabalho traga um sorriso de paz no rosto de uma criança, e isto o dinheiro não pode comprar. Exceto um X-Box One, aí o dinheiro compra e a criança fica feliz. Mas não é desse tipo de sorriso a que me refiro. 
      Ainda tenho sonhos bobos e desejos infinitos. Se ser feliz é um estado emocional, neste momento estou sendo. Não preciso sair por aí, correndo desesperadamente em busca do amor, ele acorda todos os dias ao meu lado: sorri e me deseja um bom dia! Eu apenas respondo: tá bom, tchau! Com aquele costumeiro mau humor matinal.