O ser humano é mesmo um bicho livre. A gente nasce e o médico vai logo cortando o cordão umbilical que é pra gente ficar esperto nessa vida, é uma espécie de rito inicial, sinal de que, olha... não vai ser nada fácil. A gente cresce, aprende a socializar na família, o primeiro contanto com um grupinho social. Fica crescidinho, aprende a usar o vaso sanitário e dar adeus aos excrementos e já está na hora de ir para escola. Me recordo do meu primeiro dia de aula, haviam várias crianças chorando por ter de se despedir das mães, de abandonar aquela pessoa que proveu todas as suas necessidades sociais. A minha mãe ao menos me levou, posei numa amiguinha e o pai dela se encarregou da função. A minha independência antecedeu ao período da faculdade. Eu não conseguia compreender a razão de todas aquelas lágrimas, daquelas crianças extremamente assustadas pela vida nova que as esperava. Enquanto que pra mim o desconhecido dá vontade de viver, de descobrir, chegar mais perto, tocar, sentir o cheiro, o sabor da vida. Durante o período de faculdade não foi tão fácil assim, as descobertas trouxeram umas decepções consigo, um choro aqui e outro ali. Mas nada que me fizesse ter medo do novo, daquilo que eu teria que desbravar. Aí, quando eu penso que já vi de tudo nessa vida de meu Deus, em pleno final de 2015, Você aparece pra dizer que está disposto a me fazer extremamente feliz, que gostaria de dizer isto olhando nos meus olhos, porém não disse. Sabe? A vida é muito louca mesmo. Quantas noites dormi imaginado uma cousa dessas e quando ocorre não faz sentido algum, você não faz sentido. O seu histórico demonstra que nada que é capaz de sair dessa sua boca, nada daquilo que seus dedos digitam nesse teclado é digno de verdade, você é uma falácia completa, dessas bem grandes que só um vendedor de produtos made in china poderia vender. Vá embora e leve com você todo esse sentimento que causou em mim, todas as expectativas as boas e as ruins. Eu me desapeguei. Minha liberdade me completa num sentido tão profundo que só Cecília Meireles pra compreender. Pra você eu desejo um honesto e profundo adeus, sigamos em frente.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
domingo, 15 de novembro de 2015
Acerca dos planos infalíveis que teimam em falhar
Eu havia formulado um plano infalível. Não haveria meios de você escapar. Assim sendo, permaneceria durante toda noite ao seu lado, sendo sua companhia perfeita, no fim da noite, com um beijo suave de até breve você estaria perfeitamente interessado pra saber mais ao meu respeito. Minhas segundas intenções foram por água abaixo quando quem me deixou esperando foi você, os minutos que antecederam sua chegada foram desesperadores, me embriaguei de água e cigarros, que era para ver se a ansiedade tornava-se minha amiga, assim eu poderia me concentrar em ser como os demais, pessoas comuns, ouvindo músicas aleatóriamente, conversando com os amigos num bar. Ser uma pessoa, como qualquer outra que não cria expectativas fantasmagóricas. Não, tudo o que diz respeito a mim tem de ser gigante e desesperador, os fatos comuns tornam-se grandes acontecimentos, porquê a minha alma é hiperbólica e carece de muita emoção pra ser completa. Retornando ao início, você chegou e nem percebeu, contudo, na minha cabeça, eu já estava de quatro por você. Foi tão difícil me fazer de difícil, e no final, pra que tanto drama? Se eu sei que uma hora ou outra o conceito de espaço não teria mais sentido entre a minha boca e a sua. Te ignorei por quase um mês no aplicativo do celular, deve ser suficiente pra te convencer que não sou qualquer uma. Que existe algo de especial em mim que te faça ficar aqui, nem que seja por apenas alguns instantes. Ando tão exausta de expulsar as pessoas da minha vida, numa velocidade patológica e de tantas formas egoístas que só meu psiquiatra poderia compreender. No fim da noite, meu plano havia falhado, eu fui pra sua cama e já não posso suportar a possibilidade de não te ver, não, eu não sou louca. Essa tentativa frustrante, mas eu sempre tive a total convicção que meu plano infalível teimaria em falhar, porque há algo em você que me faz perder o controle e perceber que eu já não posso prever nenhum dos meus passos tratando-se destas tentativas imbecis e fajutas de te fazer perceber que eu só estava ali, naquele lugar e naquela noite, por exclusivamente você.
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